sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O ESPELHO DOS BOTOS ENCANTADOS

INICIO
(O músico contador de histórias está sentado num trapicho na beira de rio ouvindo o som das águas, pega o violão e começa a cantar)
Música - Uma noite / saía de canoa pelo rio
Do norte soprava um vento frio
E no silêncio de um remanso a gente ouviu
Um choro triste
Com um quê de solidão
De partiu meu coração
Por que choram as águas?
Por que choram as águas?
Fiquei a me perguntar
E o canoeiro me contou uma história.
(pára de tocar. Põe o violão de lado)
E ele começou assim:

voz em off - Sabe moço! A muito tempo vivia nessas águas, um fabuloso galanteador, conhecido como o jovem lider dos encantados, ele estava na beira do magnifico espelho d'gua fazendo os preparativos para o período dos enamorados das águas doces, quando a princesa Uau-mari e sua amiga Uau-lú apareceram de surpresa, e ele sem perde a pose as recebeu com um sorriso dizendo:

O encantado - Quem são as inspiradoras belezas que refletem nos encantos dos meus jardins espelhados?

A princesa - Sou Uau-mari, a princesa das amazonas, e está é minha amiga Uau-lú.

O encantado - Ouviste-me primavera! São as flores mais belas! Finalmente enviastes a mim.

A princesa - E quem é você ?
O encantado - Não é uma pergunta muito fácil de responder, Princesa. Mas... Entre outras coisas, sou conhecido como o jovem líder dos encantados.

A princesa - Então és tu o irresistível conquistador de quem nos falam as nativas!... O apaixonante inspirador dos jovens encantados das águas doces?

O encantado - Acho que estamos fora do período dos encontros sagrados, princesa!

A Princesa - Estamos! Majestoso.

O encantado - Sabes que é proibido as nativas passearem deste lado do rio, fora do período!

A princesa - O que temes!? Não és o inconsquistavel! Por um acaso te sentis ameaçado por nossas frágeis presenças?

O encantado - Pelo contrário! É uma agradavel surpresa; é um prazer ter a luz dos seus belos olhos iluminando-me na paz deste espelho.

A princesa – Então é em ti que os encantados buscam as inspirações para os seus maravilhosos galanteios!

O encantado – Não minha pequena encantada. Partes da fonte de nossas inspirações estão agora diante de mim. Mas diga-me! O que as trouxe até aqui, fora do periodo sagrado?

A princesa - A curiosidade de encontrar um encantado, e ver como se comportam antes do sagrado período dos acasalamentos.

O encantado - Não precisava vir até aqui. Vossa rainha podia lhe dá essa informação.

A princesa - Gosto de ver as coisas com os meus próprios olhos, majestoso. Quero mostrar para Uau-lú que os encantados não são tão elegantes como ela imagina que sejam; vou provar que são vulneráveis aos nossos encantos femininos; que não teem nada de inconquistaveis, como decantam os narradores de suas proezas poéticas amorosas.

O encantado - Me pareces segura do que estais dizendo!

A princesa - E estou, majestoso!

O encantado - Em que te apoias para fazer tal afirmação?

A princesa - Em alguns inusitados acontecimentos, meu jovem lider.

O encantado – Posso saber, ao que te referes?

A princesa - Por exemplo, já te vi na beira do rio, me flertando de forma discreta e desejosa, majestoso.

O encantado - Tem certeza disso?

A princesa - Tenho.

O encantado - Pois bem! Estamos num lugar mágico, aproveite! Aqui somos livres para dirimir certas duvidas, relembrar os eventos significativos que forem do seu agrado. Me sentirei honrado se puder esclarecer alguma coisa que por ventura tenha posto em duvida o comportamento dos encantados.

A princesa - E como podes fazer isso?

O encantado – Passea um pouco nos mistérios do meu espelho. Mergulhe comigo nas águas sagradas que compartilharemos do que desejares. Garanto que realizarás o mais amavel dos teus sonhos.

A Amiga – Não faça isso Princesa! Ele vai encantá-la!

A Princesa – (virando-se para a amiga)Não há o que temer Uau-lú. Eu sei lidar com esses românticos bajuladores.

O encantado – Então, viva o reino das águas! Temos uma deusa nos visitando.

A princesa - Viva! E espero que os mistérios do teu espelho, espelhe detalhes das verdades mas intimas que poem em duvida tua fama de respeitoso majestoso.

A Amiga - Não vá se arriscar, princesa! Tu não conhece esse jovem. Existem histórias muito estranhas a respeito deste espelho.

O Encantado – (Virando-se para amiga sorrindo)Estou encantado! Tens uma sábia prudente em tua acompanhia.(Virando se para a princesa) Mas és livre como a brisa que embala as flores. Será um prazer vê-la passear no espelho dos meus encantos.

A Amiga – É melhor Não lhe dá ouvido, princesa! Vamos embora daqui!

O Encantado – (Olhando para a princesa)Escuto a voz da razão ao teu lado... Sinto-me honrado em te-las na minha companhia. Sinto-me envaidecido em propor-me a cumplicidade de partilhar de tuas lembranças, minha princesa.

A princesa – Está vendo Uau-lú ! Os encantados são todos iguais, usam sempre essa imperiosa postura romântica para nos agradar. Mas o majestoso não sabe quais momentos pretendo relembra-lo. Se soubesse, com certeza mudaria essa postura de imponente inconsquitavel!

O Encantado – (Sorrindo) Esse sorriso em seu rosto me faz acreditar que tem lembranças agradaveis da minha pessoa. Será um prazer ouvir tua voz melodiosa detalhando os instantes graciosos que parece disposta a relembrar.

A princesa - O prazer será todo meu.

O encantado - Não se acanhe! Quero sentir-me acariciado por essas doces recordações, e quem sabe envolvido por esse manto de estrelas que brilham em teus olhos quando sorri.

A amiga – (Tapando os ouvidos) Por favor, princesa! Não fomos trazida aqui pelas nossas pernas, foi a força dos encantos dele que nos atrai até aqui.

A princesa – Não te preocupes com isso Uau-lú, eu sei onde estou pisando.(Virando-se para o jovem lider)E então, meu jovem encantado! sou livre para pormenorizar, ou guardamos em segredo certos detalhes reveladores dos prazerosos flertes aos quais me refiro?

O encantado - Minha encantada princesa! Antes de qualquer coisa, é bom que saibas que para cada encantado que nasce, nasce uma deusa encantada em tua tribo, que já vem predestinada a atrai-lo; desperta-lo para o mundo mágico dos relacionamentos amorosos. Desperta nele curiosidades. Curiosidades que vem do impulso instintivo infantil que existe dentro de cada um de nós. Instinto que fez com que em alguns momentos soltasse tuas saudáveis meninices sedutoras para deleite desse jovem nativo do reino dos encantados.

A princesa – Muito interessante essas tuas providenciais precauções discursiva, majestoso! Sabes muito bem do que quero falar. Tenho certeza essa postura inocente angelical irá por água abaixo diante de fatos singulares que nos envolve.

O encantado – Falas das graciosas maninices que me levaram a ver particularidades sultis que fazem parte do teu encantado universo feminino. Venha! Megulhe nos mistérios do meu espelho! vamos compartilhar de tuas saudaveis lembranças, garanto que ficaras satisfeita com o que te espera.
Amiga – (Um pouco nervosa) Princesa! Por favor, não! Ele vai encanta-la! Conheço as artimanhas dos encantados como a palma de minhas mãos.

A princesa – Calma Uau-lu! Quero saber em que particularidades dos nossos universos caminha o nosso jovem encantado.

O encantado - As fêmeas tem seus dengos, minha princesa. Tem suas manhas, teem por hábito nos chamar a atenção executando certas encenações exibicionistas, aparentemente despretenciosas. Coisinhas que fizeram-me descobrir as maravilhosas particularidades de que lhe falo.

A princesa - como o quê, por exemplo?

O encantado - Por exemplo, descobrir que o ser feminino já nasce com o divino dom de embeleza-se, sentem prazer em sentirem-se atraentes, desejadas. E enfeita-se é um de seus hábitos prediletos; um ritual sagrado que realizam diariamente; adoram vesti-se de forma elegante e confortável, buscando sempre as harmonias de tons primaveris, assim como fazem as árvores que brotam seus botões de flores, recheando de beleza e perfumes os ambientes onde se movimentam com um certo esmero.

A princesa - Tenho que admitir! Tens uma lábia perigosamente envolvente, majestoso. Mas navegas num trechos de muitos remansos, e mesmo que sejas esse decantado e irresistível conquistador, Podes ficar preso num desses remansos.

O encantado - É sempre um prazer rodopiar nos ondulantes banzeiros de aventuras que nos propocionam esses mistériosos rios femininos, agradeço aos céus pelas dádivas primorosas que encontrei nessas preciosíssimas correntezas.

A princesa - Não pode gabar-se de que nunca fostes visgado por uma bela fêmea, ou para ser mais direta, que eu nunca atrai os teus olhares desejosos, buscando contemplar minhas atraentes dádivas femininas, majestoso! Com certeza tu sabes onde moro!

O encantado – Sim, eu sei. E faltaria com a verdade se não dissesse que são incomparáveis as belezuras que te compõem.

A princesa – (Tom irônico sorrindo) É mesmo?

O encantado – Sim!Tens um magnetismo particularmente especial, minha princesa. Teus lábios são como doces fatias de frutas num convidativo e tentador pomar delicias; és como a porção do mais puro mel que costumo saborear nos meus solitários sonhos. Claro que já atraistes os meus olhares com teus movimentos elegantes. Com essa dança de cisne no espelho d'agua estrelado.

A princesa - És capaz de negar que já me viu em momentos um tanto mais íntimos!?

O encantado - Onde realmente estais querendo chegar, princesa! Posso saber?

A amiga – (Se dirigindo até a princesa a pegando pelo braço) Princesa, precisamos ir embora. Pelo amor que tens aos nossos sagrados lendários. Não faça isso! Vamos embora daqui.

A princesa - (Sorrindo virando se para a amiga e tirando a mão com a qual ela segura seu braço)Não tenho as fragilidades sentimentais de nossas nativas, Uau-lú. Estou aqui para desmistificar essa imagem de inabalável encantador do nosso jovem lider. E então, meu jovem encantado? Negas que já viu-me um tanto quanto desprotegida de minhas vestes?

O encantado - Não, minha princesa. Eu não nego, que já tive alguns flertes acidentais de cenas belissimas; cenas que sempre vão existir, enquanto existirem fêmeas encantadas como você; fêmeas que se especializam em conduzir com sutileza e maestria deliciosos espetáculos de sedução, que diga-se de passagem, são adoraveis quando recheadas com tuas belissimas formas.

A princesa - Ao que te referes?

O encantado - Aos detalhes que costumam nos levar aos compartimentos secretos e confortáveis dos nossos aposentos de fantasias, princesa.

A princesa - Dá pra ser mais claro, majestoso!

O encantado - É impossivel negar que és saborosamente tentadora quando solta essa criança crescida que existe dentro de ti, buscando atrair a criança crescida e curiosa que existe dentro de mim. Disponho aos teus prazeres, todas as delicias que fizestes jorrar com teus espetáculos provocantes. Nesse espelho posso satisfazer os mais sublime dos teus desejos.

A princesa - Sinto um tom meio suspeito no que falas. Mas será um prazer ver-te novamente me saboreando no aconchego dos teus sonhos. Se isso é for possivel nesse lugar.

A amiga – Ah! Pelos nossos lendários, princesa. Não faça isso, será o fim. A rainha não vai me perdoa por ter vindo aqui com você.

O encantado - Posso te dizer que dentro deste espelho, os desejos mais ardentes não podem serem reprimidos, princesa.

A princesa - Que bom! Então vamos ver o quanto fostes resistente aos meus dotes de criança tentadora.

A Amiga - Ah! Minha mãe das águas !! O que foi que eu fiz! Por favor princesa! Vamos embora.

O encantado - Algumas de tuas peças intimas podem serem expostas neste ritual de exposições sentimentais, minha princesa.

Amiga – Princesa! Por favor, não! Não foi pra isso que viemos aqui. Majestoso nos perdoe a invasão do ambiente sagrado. Não faça nada que possa deixar nossa princesa numa situação embaraçosa. Ela é só uma criança crescida, bricalhona.

A princesa – (Se voltando para sua amiga) Eu sei me defender Uau-lu! e para o seu governo, eu sei o que estou fazendo. No momento não preciso do teu nervosismo.(Se voltando para o jovem encantado) Quero fazer uma perguntinha ao majestoso!

O encantado - faça quantas quiseres.

A princesa - Lembras da janela de minha casa na beira do riacho?

O encantado - Sim, minha querida princesa, jamais poderia esquecer. Tenho boas e maravilhosas lembranças de tudo que vi através dela.

A princesa - Então espero que satisfaça a minha curiosidade. Mas antes, me responda com sinceridade! Algum dia já viu-me vestida em trajes menores, ou vestida com algumas de minhas confortáveis peças transparente?

O encantado - Claro que sim!

A princesa - (SORRINDO)Tudo o que te peço, é que sejas sincero.

O encantado - Enebria-me a pureza dessa vontade que enfeitas com esse sorriso angelical que usas para esconder tuas mais intimas intenções. És como um bichinho manhoso ronronando buscando um colo para sonhar acordada, princesa. Quero ve-la nadando livre nos sonhos; flutuando nos mais profundos dos teus sentimentos, és uma musa inspiradora dos encantados, podes vivenciar a independência única do seu ser; vivenciar os momentos de brilho solitário de tua estrela, sem limites; e sem sentimento de culpa usar do direito de sentir prazer em teu universo interior, onde ninguém pode alcança-la. Não precisas ter medo, aqui não traímos e nem somos traídos. Existimos e não existimos ao mesmo tempo, somos só sinais extra-sensórios encantados vagando no espaço. Eu sei que estais disposta a me conquistar; a quebrar o meu voto sagrado antes do período de acasalamento.

A princesa - Sim, Estou disposta a romper com certos costumes de nossas tribos, e te ofereço os meus mimos, que sei que tu tanto desejas. Pois, se assim não fosse, não me buscaria com teus olhares discretos, e evitaria usar esses teus maravilhosos galanteios fora do período sagrado.