sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O ESPELHO DOS BOTOS ENCANTADOS - I V

A amiga – Uma boa pergunta! E ai! O que você está sentindo?
O encantado - Tudo Muito interessantes! Mas previsíveis.
A amiga – (sorrindo) Interessantes!? Previsíveis!? Você tá brincando!
O encantado - Uau-lú, Normalmente é isso o que acontece quando você se depara com alguém lhe espreitando de forma curiosa.
A amiga – (sorrindo)Espera um pouco ai! Não vá fugir da resposta. Eu quero saber o que você sentiu ao ver a princesa desta maneira!
O encantado - O que posso te dizer, é que momentos assim costumam levar os envolvidos a um estado de excitação quase incontrolável, muitas vezes os fazem agir compulsivamente; a vencerem certos medos, chegando ao ponto de apelar para esses tipos de gestos provocantes propositais. Mas sempre tomando o devido cuidado para que esses gestos pareçam pequenos descuidos, para que não pareça que foram feitos intencionalmente.
A amiga – O que estais insinuando! Tem medo de encarar a verdade? Voces são curiosos! e com certeza ficam babando quando se deparam com cenas assim.
O encantado - Isso faz parte do nosso universo e principalmente do universo feminino, As vezes nos parece estranhos esses acontecimentos, mas não existe nem um desvio de conduta nesses impulsos femeninos; nada fora dos padrões normais de comportamento das femeas. É parte dos deliciosos jogos de sedução de nossas espécies.
A amiga - Estais querendo esconder o sol com uma penêra!
O encantado - Não! Diga-me! Quem nunca passou por uma dessas aventuras telepáticas? por uma dessas relações extra-sensorias acidentais? Quem nunca sentiu os prazeres que esses momentos são capazes de produzir? porque acha que nascem as crianças?
A amiga – Não vamos exagerar.
O encantado – Não estou exagerando. E digo mais, algumas de vocês até se habituam a ter esse tipo de ralações; esses prazeres extra-sensórios, e se especializam em produzirem esses maravilhosos espetáculos particulares, e para isso elegem seus observadores prediletos. E se excitam agindo assim, fingindo não vê-los. Isso está claro olhando a forma como se vestem! Nas preocupações que tem em realçar as partes que podem atrair os nossos olhares desejoso.
A amiga - Vou insistir na pergunta, que teimas em não responder.
O encantado - O que queres que eu te responda, Uau-lú ?
A amiga - Não se faça de bobo!
O encantado - Acho que estais querendo ouvir eu dizer que ao ver as belissimas partes intimas de vossa princesa, senti-me atraído por elas(Aproximando de Uau-lú)Acho que vai te excitar ouvir eu te dizer que desejei toca-las, acaricia-las, senti-las em minhas mãos, beija-las com volúpia, ou quem sabe acariciar uma delas com meus músculos rígidos, e preenche-la ardorosamente até sentir o morno do prazer jorrando deliciosamente na pele, olhando-a nos olhos, beijando-a calorosamente a boca?

A amiga - (Afastando)Assim Você me deixa sem jeito!
O encantado – Não esqueça que eu sou um encantado, e como todo encantado, eu tenho a missão de encantar. Tenho minhas fantasias, sinto desejos, é desejando que os encantados se encantam, é nos encantando que buscamos encantar nossos encantos.
A amiga – És muito escorregadio, isso sim! Tenho certeza que faz isso com todas que aparecem na tua frente.
O encantado – Ah! Como é linda essa carência disfarçada que tua boca transforma em melodia; como é sultil o desejo que goteja dos teus lábios como um riacho de leite e mel, minha meiga Uau-lú. Sinto-me rodeado pelas rosas perfumadas de tuas inocentes acusações.(Aproximando seu rosto ao dela) Quem me dera envolver-me em tuas formosuras e bebericar o nécta dos desejos no cálice macio do teu umbigo; mordiscando delicadamente as pontinhas dos montes macios do teu colo; rodeando de suavidade teu pescoço, massageando os teus cabelo e me afogando em tua boca, ouvindo o ofegar de tuas narinas em meus ouvidos, com os sabores de tuas refinadas especiarias fogosas. (levando a mão a cabeça) Eu tiro o chapéu pra você, deusa dos meus mais puros encantos.(Tira o chapéu)O que te lembra isso!?
A amiga - Ah! minha mãe das águas, é inconfudivel o teu perfume, majestoso! A elegância dos teus cortejos, a beleza de tuas palavras. Pensei que nunca mais ia te ver. Então és tu!
O encantado - Sim, Uau-lú! Os ventos da primavera chegam mais uma vez para mudar o meu destino.
A amiga - Ah! como te procurei! Tu não sabes as noites de sono que perdi pensando em ti. Quantas noites sonhei com a nossa sublime união. Acerta-me com tua lança guerreira, meu amado. Enche minhas entranhas mornas com teu nécta dos deuses. Eleva-me ao céu dos teus amores! Não sabes quanto tempo sonhei com esse momento. Finalmente te encontrei. Tu és tudo que mais quero nesta vida. Por que desaparecesse da forma como desapareceu? Porque sempre fugias? porque nunca ficastes até o final das festas comigo? Me responda... por que me fez sofrer tanto?
O encantado - Calma! Uma pergunta de cada vez. Existe alguns mistérios em minha vida que não posso te revelar. Há certas coisas que as nativas não podem saber. E é melhor que seja assim.
A amiga - Tudo o que quero é que diga-me! Porque você sumiu sem dar explicações?
O encantado - Porque uma mulher apaixonada só ouve o coração, vocês são muito sensiveis e extremamente curiosas, são capazes de tudo para viverem seus amores. E tu estavas prestes a botar tudo a perder, Uau-lú. Mas ainda És a chama ardente que adoro contemplar, mas ainda não ouso tocar, temo ser devorado pelo fogo abrasador do teu corpo. Foi uma surpresa maravilhosa ve-la entrar aqui acompanhando vossa princesa. Mas não esperava que me reconhecesse. Mas eu não resisti, e isso pode sair muito caro.
A amiga - O que faço para que te rendas a mim, meu amado principe dos encantados. O que faço para que fiques comigo?
O encantado - Ah! Uau-lú! És a luz mais pura que encontrei no caminho. Mas por um desses acaso do destino, hoje é noite de lua, e poderemos acabar embarcando numa bela enrascada se não saires daqui a tempo.
A Amiga - Como assim?
O encantado - A princesa me tomou um tempo precioso. A minha liderança está ameaçada com tua presença. A vossa rainha continua a mesma. Com certeza ela mandou a princesa traze-la até aqui para que eu a envolvesse com meus encantos e a possuisse de alguma forma. Mas isso faz parte das prova dos rituais de iniciação. A princesa tinha que ter vindo sozinha. Mas já que você veio, tudo bem!
A amiga - Eu não estou entendendo nada do que estais dizendo.

O encantado - Isso não é importante agora, Uau-lú. Olhe!A princesa já está voltando. Eu tenho que traze-la a realidade.

A amiga - O que vais fazer?
O encantado - Tenho que diminuir o estado de excitação sonhadora que ela senti por mim.
A amiga - (Olhando desconfiada para o encantado) E como vais fazer isso?
O encantado - Não te preocupes. Existem formas de fazer isso, sem apelar. E acho que no momento, a melhor forma é começar pedindo a ela que devolva minhas estrelas!
A amiga - Tuas estrelas!? Desde quando tens estrelas?

O encantado - Vou usar isso como estratégia para amenizar a ilusão dos desejos que ela agora está sentindo por mim. Não tenho tempo para te explicar agora. Fique quieta por favor!(A princesa se aproxima sorridente enrolada na toalha, demonstrando está muito feliz e com uma certa malicia no olhar).
A princesa - Que lugar maravilhoso! estou me sentindo nas nuvens. Que pena que não fostes comigo, Uau-lú! Esse lugar é um sonho.
O encantado - (Demonstrando uma certa pressa) Me desculpe princesa! Eu não devia ter deixado voces entrarem aqui. (virando-se para Uau-lú) Se ela continuar nesse estado não vai ser facil tira-la daqui. E vocês não podem ficar aqui.
A amiga - Porque não?
O encantado - Eu não tenho tempo para explicar.
A Princesa - (Se aproximando do jovem com movimentos insinuantes) O que queres de mim! Peça o que quiseres! que eu te concederei.
O encantado - Devolva minhas estrelas, princesa!
A princesa - (sorrindo) Do estais falando, meu amado.
A amiga - Amado!? Que intimidade sâo essas?
O encantado - (virando-se para Uau-lú) Fique quieta, por favor!(Voltando-se para a princesa) Estou falando das minhas queridas estrelas, princesa!
A princesa - Se soubesse onde estão tuas estrelas, eu reviraria céus e terra para busca-las e entrega-las em tuas mãos, só para sentir, nem que fosse por um infímo instante a tua pele rossando a minha.
O encantado - Mas as minhas estrelas estão mais perto que imaginas, princesa.
A princesa - Diga-me onde, que irei busca-las para ti.
A amiga - O que deu na princesa? Tem alguma coisa errada com ela. Ela não é assim.
O encantado - Tu não anda no coração dos outros, Uau-lú. Nem tudo que falamos expressa a vontade do nosso coração. Faça o que lhe pedi! Fique quieta! Ela está sonhando, eu tenho que acorda-la desse sonho e tira-la daqui.(virando-se para princesa) Princesa! As minhas estrelas estão contigo. Tu as levou do meu Céu.
A princesa - Não lembro de algum dia ter provocado um cataclisma cósmico, de tamanha magnitude. Meu Principe das águas.
O encantado - Sabes porque não lembras, meu anjo!?
A princesa - Não! Amado majestoso!
O encantado - Porque na noite em que elas se foram, tu estavas muito oculpada com tuas maravilhosas meninices sedutoras, por isso nem percebeu que as raptou do meu céu.
A princesa - (Se insinuando)Não seria melhor dizer; do nosso céu, meu venerável majestoso?
O encantado - Sim, Uau-mari, mas quero que saibas que nas noites enluaradas, costumo exercitar os meus improvisos poéticos para minhas queridas estrelas. E numa bela noite, eu estava fazendo exatamente isso, quando voce apareceu para tomar seu precioso banho, e quando cobriu-se com os véus de água, tu as raptou lá do céu para o teu corpo, e depois aprisionou-as nessa toalha. Voce não sabe o quanto procurei te-las de volta. E no dia em que fostes embora daquela casa, eu foi até lá, e entrei no quarto vazio onde jogastes a toalha, na esperança de encontra-las e devolve-las novamente ao céu. Mas elas não estavam lá, vi alguns brilhos no teu quarto, pensei que fosse algumas delas, mas não eram. Os brilhos vinham de pequenas frestas na parede de tua casa; frestas por onde tu poderias muito bem me observa, sem ser observada. E roteirizar teus deliciosos movimentos. És linda; sabes da força irresistivel que tem as tuas formas. Mas agora tens que acorda! Não existe nada que nós ligue além das minhas estrelas.

Nenhum comentário: