O encantado - Eu sei!
A amiga - E não teme que eles nos conquistem ?
O encantado - Não há motivo pra isso. Agora tenho que ir até o espelho enquanto céu está claro.
A amiga - Eles são jovens, inteligentes e muito simpáticos, Majestoso.
O encantado - Mas, não são encantados, Uau-lú.
A amiga - Mas são cheio de energia. E chegou um barco trazendo mais alguns com umas porções de encantos de sexto sentido, maravilhosas. Dizem que estão preparando uma revolução. E vão fazer uma grande festa nesta noite lua. Espero que voce vá.
O encantado -(Se movimentando para sair na direção do espelho)Eu vou estar lá! agora tenho que ir até o espelho.
A amiga - Eu gosto do entusiamos contagiantes deles. E é bom tomar cuidado com seus encantos românticos, pois eles estão preparando uma revolução de poesias ! A revolução dos poetas! E vou te dizer mais uma vez, as porções de encantos que eles teem são incomparaveis.
O encantado - (Parando de se movimentar) É mesmo!? E que tipo de porções são essas?
A amiga - Estais curioso?
O encantado - Sim! gosto de confrontar o meu insuperavel poder de encantamento com essas novidades que os aventureiros costuma trazer. Que porções são essas?
A amiga - Como já te disse, são Poesias, majestoso encantado!
O encantado - Ah! minha criança inocente. E o que é poesia?
Amiga - É a essencia dos florais apaixonados; o sublime elixir dos amantes. O hálito dos deuses enamorados.
O encantado - Poesia, minha criança encantada! É como o vento; É pensar em movimento; Só frios raciocinio congelando fragmentos.
A amiga - Estais enciumado!
O encantado - Por tamanhas bobagens? nunca!
A amiga - Duvido!? Poesias não são bobagem, as nativas adoram ouvi-las.
O encantado - O que chamas de Poesias! são particulas arredias; orbitantes embriagadas; apaixonantes apaixonadas; paralelas em choques; rotineiras passageiras; as vezes passam por onde ficam; as vezes ficam por onde passam; bobos graficos geometricos sem autonomia; motivos de traduções comicas no nosso reino dos encantados. E para não me alongar , Uau-lú! A verdadeira poesia ainda continua apaixonada por mim, e sempre vem aqui rondar ciumenta, fazendo banzeiros nas águas para distorcer os reflexos tão inspiradores quanto ela, que vê surgi ao meu lado nesse magnifico espelho d'gua. Imagens como a tua, minha amada.
A amiga - Obrigado! você me evaidece com tão saudáveis elogios, majestoso.
O encantado - Agradeça aos deuses que se apaixonaram por ti, e sobram em meus ouvidos esses graciosos galanteios, Uau-lú.
A amiga - Beije-me!
O encantado - Há certas coisas que não posso fazer aqui. Eu gostaria de beija-la, mas aqui não é o lugar.
A amiga - Mas somos livres para dar alguns passos sigilosos, se quiseres!
O encantado - Tu sabes do sabor que tem um beijo as escondida, Uau-lú?
A amiga - Acho que isso não é mistério pra ninguém.
O encantado - Sabes das emoções que envolve um momento assim? qual o desfecho que pode ter um beijo dado desta maneira ?
A amiga - Ah! meu amado! emoções são coisas Indiziveis.
O encantado - São inesperados os sentidos e os desejos que um beijo assim pode aflorar, Uau-lú!E eu tenho que ir até o espelho.
A amiga - E o que achas de sentir as emoções que envolve um beijo roubado, um beijo que pode ser correspondido, mesmo sendo dado de surpresa ?
O encantado - O que estais tramando?
A amiga - Existe uns jeitinhos para realizar certos desejos!
O encantado - É por isso que eu sempre digo; que outras preocupações tem as mulheres, a não ser a de nos baratinar a cabeça e com isso nos propocionar o maior prazer possível?
A amiga - Eu acredito que é só com uma certa dose de loucura podemos agradam os encantados, majestoso!
O encantado - Não dá pra negar que somos frageis a certas coisas femeninas. As Mulheres realmente tem alguma coisa de loucas. E acredito que seja essa a razão que as leva a confeccionarem e usarem tantos enfeites, de apreciarem simpatias, sortilégios de amor, das essencias aromáticas, dos banhos de cheiro, de viverem moldando os cabelos com seus caprichosos penteados.
A amiga - É sensibilidade o que chamas de loucura, majestoso.
O encantado - Não Uau-lú! Tem alguma coisa de loucura na razão que as leva a usarem tantos artifícios para realçarem a beleza do rosto, a expressão do olhar, a cor da pele.
A amiga - Essas coisas os encantados nunca vão entender! Mas tudo o que estou querendo de ti é um simples beijo. Não as tuas preocupações em decifrar o indecifravel.
O encantado - Dócil, como és! acredito que não farás nada que possa infringir os nossos compromissos sagrados, Uau-lú.
A amiga - Nunca brinque e nem duvide dos sentimentos de uma mulher, majestoso. Tu não sabes do que uma mulher é capaz, quando ela gosta de alguém. Pois como tu mesmo reconhece; somos meio loucas, somos crianças crescidas, e com certeza tu sabes o que faz uma criança ser tão querida.
O encantado - Sim! Com certeza é um certo ar de loucura misturada com liberdade que elas geralmente teem, é a admiraveis e encantadora inocências transgressoras que elas teem o que nos atrai.
A amiga - Que vem da Liberdade natural que existe nelas. É isso que faz com que as perdoemos com mais facilidade; que não as censuremos por qualquer coisa. Que perdoemos seus pecados; os seus deslizes infantis.
O encantado - Criança é sempre criança. E assim como nos, são encantadas de nascensa, por isso nos cativam.
A amiga - Por isso temos vontade de abraça-las,(se aproximando do jovem) de ama-las; de beija-las! Pois são sinceras, e teem uma saudavel falta de juizo.
O encantado - Ah! Uau-lú. Eu não vejo outra saida, a não ser te levar para os jardins floridos do teu reino, para evitar que esse nosso maravilhoso sonho, mergulhem no silêncio do que é proibido entre nós. Tenho que tira-la daqui sem violar os deveres sagrados do ritual de travessia dos portais das águas do espelho na nascente da lua. Tenho que ir!(flashes de luz de relampagos. Som de trovões ao longe) Fique aqui até eu voltar.
A amiga - Foi isso que me dissesse na ultima vez que ti vi descer o barranco do rio. Vais sumir outra vez! por isso estou puxando conversa. Não quero que se vá!
O encantado - Eu volto o mais rapido possivel! me espere. Não sai daqui, Por nada nesse mundo!
O jovem sai na direção do espelho, Uau-lú esboça um sorriso e ao mesmo tempo se mostra impaciente andando de um lado para outro, e não resistindo a tentação, sai na direção em que foi o jovem lider. O jovem lider está sentado na beira do espelho esperando as nuvens passarem em frente a lua. Uau-lú escondida observa. A lua volta a clarear, O jovem levanta-se caminha até o espelho e se atira nas águas e depois que alguns segundo ele emerge transformando num peixe Boto.
Surpresa Uau-lú sai do esconderijo vai até a beira do espelho e gritando pelo seu nome. Um relâmpago corta o céu do espelho seguido de um potente trovão. O jovem transformado vem até onde ela está.
O ENCANTADO - O que você fez? Não podia ter feito isso.
A amiga - Por todos encantos!!! Você se transformou num peixe!
O ENCANTADO - Sabes o que acabou de fazer? Você quebrou o meu encanto, Uau-lú!
A amiga - Me perdoe!
O ENCANTADO - Como posso perdoa-la!? Não existe perdão para o que fez.
A amiga - (chorando) Me perdoe! Eu não queria perde-lo! por tudo de mais sagrado! me perdoe!
O ENCANTADO - Agora sim, voce me perdeu para sempre. Vou ficar nessa forma de peixe, até quando só deus sabe! por que não me esperou. Por que você fez isso!?
E soltando um gemido triste O jovem transformado em peixe da meia volta nas águas e desaparece nadando. Uau-lú desesperada grita por ele, e num ato de desepero atira se nas águas e fica se debatendo pedindo por socorro, raios e trovões explodem no céu do espelho d'gua. O jovem peixe vem até onde ela está e tentar empurra-la para fora. Mas a borda do espelho não tem onde se segura. A luta se segue até que ela pará de se debater, ficando apenas com um braços fora da água, preso a margem do espelho.
Voz do contador de história - E na ultima tentativa de salva-la, O jovem peixe boto nadou e saltou para fora da água girando no ar, na esperança de volta a ser humano e puxa-la de dentro da água do espelho, mas o seu encanto estava quebrado, e o jovem peixe ficou se debatendo no seco, tentando ir em direção ao braço de Uau-lú. Aos pouco também foi perdendo as forças, até que parou de se debater.
(Musica suave surgindo aos pouco). As nuvens cobrem a luz da lua.(Ambiente escuro) Relâmpagos mostra flashes de cena dos dois na escuridão da noite. Som de chuva caindo. As luzes dos relampagos aos pouco vão ficando espassados (musica suave aumenta. Cessam os trovões. Um relâmpago forte ilumina o ambiente. O cenário está vazio. as nuvens passam. A luz da lua volta iluminar o ambiente.(Som de algo se movimentando nas águas). A luz da lua mostra o cenário vazio.
Música :
"São mistérios do rio
São mistérios das águas
São histórias de amor
Há muito tempo contadas"
FINAL
ESSE TEXTO AINDA PODE SOFRER ALTERAÇÕES.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
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