terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Espelho dos Encantados - Final

O encantado – Eu não podia ter tocado em você. Vou até o espelho. Acho que evitei que o pior acontecesse.
A amiga - Estou sentido uma sensação muito estranha, eu não quero que você vá. Eu não estou gostando disso.
O encantado - Não fale assim. Estou com um mal pressentimento.
A Amiga – Eu estou com medo! Fique aqui comigo.
O encantado – O que foi que eu fiz!? Eu não podia ter tocado em você. Tenho que mergulhar nas águas sagradas enquanto a lua está saindo. Eu volto para atravessá-la.
A amiga - Tu sabias que tem alguns aventureiros morando do nosso lado rio?
O encantado - Eu sei!
A amiga - E não teme que eles nos conquistem?
O encantado - Não há motivo pra isso. Agora tenho que ir até o espelho enquanto céu está clareando.
A amiga - Eles são jovens, inteligentes e muito simpáticos, Majestoso.
O encantado - Mas, não são encantados, Uau-lú.
A amiga - São cheios de energia. E trouxeram umas porções de encantos, maravilhosas. Estão preparando uma revolução. Vai ter uma grande festa hoje noite. Espero que você vá.
O encantado -(Se movimentando para sair na direção do espelho) Eu vou estar lá! Agora tenho que ir até o espelho.
A amiga - É bom tomar cuidado com encantos românticos deles.
O encantado – O que você está querendo me dizer? Que eles são encantados como nós?
A amiga - Eles estão preparando a revolução dos poetas, suas porções de encantos incomparáveis. Acho que o reinado de vocês está chegando ao fim.
O encantado - (Parando de se movimentar. Voltando e se aproximando de Uau-lú) Que tipo de porções são essas, Uau-lú?
A amiga - Eu sabia que ias querer saber!
O encantado – Eu gosto de saber das novidades que esses bossais estão trazendo para o nosso reino. Que encantos são esses?
A amiga – São porções de sexto sentido, majestoso.
O encantado – Gostaria de confronta-las com o meu insuperável poder de encantamento Que porções são essas?
A amiga – Poesias, majestoso encantado!
O encantado - Ah! Minha criança inocente. E o que é poesia?
Amiga - É a essência dos florais apaixonados; o elixir dos amantes. O hálito dos deuses enamorados.
O encantado – Poesia, minha criança encantada! É como o vento; É pensar em movimento; Só frios raciocínios congelando fragmentos.
A amiga - Estais enciumado!
O encantado - Por tamanhas bobagens? Nunca!
A amiga - Duvido!? E poesias não são bobagens, as nativas adoram ouvi-las.
O encantado - O que chamas de Poesias! São partículas arredias; orbitantes embriagadas; apaixonantes apaixonadas; paralelas em choques; rotineiras passageiras; as vezes passam por onde ficam; as vezes ficam por onde passam; perambulando num eterno sempre aqui, bobos gráficos geométricos sem autonomia; motivos de traduções cômicas, no nosso reino dos encantados. E para não me alongar, Uau-lú! Quero que saibas que a verdadeira poesia ainda continua apaixonada por mim, e sempre vem aqui rondar ciumenta, fazendo banzeiros nas águas para distorcer os reflexos tão inspiradores quanto ela, que vê surgi ao meu lado no nosso magnífico espelho d'gua. Imagens como a tua, minha amada.
A amiga - Obrigado! Envaidece-me com tão saudáveis elogios, majestoso.
O encantado – Não me agradeça!Agradeça aos deuses que se apaixonaram por ti, e sobram em meus ouvidos esses graciosos galanteios.
A amiga - Beije-me!
O encantado – Há certas coisas que não posso fazer aqui, Uau-lú. Eu gostaria de beija-la, mas aqui não é o lugar.
A amiga - Mas somos livres para dar passos sigilosos, se quiseres!
O encantado – Eu não podia tê-la tocado.
A amiga – Tens alguma doença contagiosa?
O encantado – Claro que não!
A amiga – Então beije-me! Ninguém vai ficar sabendo.
O encantado - Tu sabes do sabor que tem um beijo as escondida, Uau-lú?
A amiga - Isso não é nem um mistério, majestoso!.
O encantado - Sabes das emoções que envolvem um momento assim? Qual o desfecho que pode ter um beijo dado desta maneira?
A amiga - Ah! Meu amado! Emoções são coisas Indizíveis.
O encantado - São inesperados os sentidos e os desejos que um beijo assim pode aflorar, Uau-lú!E eu tenho que ir até o espelho.
A amiga - ( Se aproximando do Jovem) E o que achas de sentir as emoções que envolve um beijo roubado, um beijo que pode ser correspondido, mesmo sendo dado de surpresa ?
O encantado –(Se afastando de Uau-lú) Não faça isso!Eu tenho que ir até o espelho, teremos bastante tempo pra isso. Agora eu tenho que ir.
A amiga – (Levantando a saía até o joelho de forma insinuante) Existe uns jeitinhos para realizar certos desejos!
O encantado – Ah! Que outras preocupações tem as mulheres, a não ser nos baratinar a cabeça e com isso nos proporcionar prazer?
A amiga – Descobri que só com uma certa dose de loucura podemos agradam os encantados, majestoso!
O encantado – Somos frágeis a certas coisas femininas. Mulheres realmente tem alguma coisa de loucas. E acredito que seja essa a razão que as leva a usarem tantos enfeites, de apreciarem simpatias, sortilégios de amor, essências aromáticas, os banhos de cheiro, de viverem moldando os cabelos com seus caprichosos penteados.
A amiga - É sensibilidade o que chamas de loucura, majestoso.
O encantado - Não Uau-lú! Tem alguma loucura na razão que as leva a usarem tantos artifícios para realçarem a beleza do rosto, a expressão do olhar, a cor da pele.
A amiga - Essas coisas os encantados nunca vão entender! O que estou querendo de ti é um simples beijo. Não as tuas preocupações em decifrar o indecifrável.
O encantado - Acredito que não farás nada para infringir os nossos compromissos sagrados, Uau-lú.
A amiga – Não brinque e nem duvide dos sentimentos de uma mulher, majestoso. Tu não sabes do que uma mulher é capaz, quando ela gosta de alguém. Tu mesmo reconhece; somos meio loucas, somos crianças crescidas, e tu sabes o que faz uma criança ser tão querida.
O encantado - Com certeza é o ar de loucura misturada com liberdade; a encantadora inocência transgressora que elas teem.
A amiga - A Liberdade natural que existe nelas, majestoso. É isso que faz com que perdoemos as criança com mais facilidade; Que perdoemos seus pecados; os seus deslizes infantis.
O encantado - Criança é criança. E assim como nos, são encantadas de nascença, por isso nos cativam.
A amiga -(Se aproximando do jovem) Por isso temos vontade de abraçá-las(se aproximando mais) de ama-las; de beija-las! Pois são sinceras, e teem uma saudável falta de juízo.
O encantado - Ah! Uau-lú. Eu não vejo outra saida, a não ser te levar para os jardins floridos do teu reino, e evitar que esse nosso maravilhoso sonho, mergulhem no silêncio do que é proibido entre nós. Tenho que tira-la daqui sem violar os deveres sagrados dos dos portais das águas na nascente da lua. Não posso demorar mais. Tenho que ir!(flashes de luz de relampagos. Som de trovões ao longe) Não saia daqui até eu voltar.
A amiga - Foi isso que me dissesse a ultima vez que ti vi descer o barranco. Vais sumir outra vez! É por isso estou puxando conversa. Não quero que se vá!
O encantado – É preciso! Volto o mais rápido possível! Me espere aqui. Não saia! Por nada nesse mundo!
O jovem sai na direção do espelho, Uau-lú esboça um sorriso inseguro e fica andando sozinha, de um lado para outro demonstrando impaciência. E então sai na direção em que o jovem líder seguiu.
O jovem lider está sentado na beira do espelho esperando as nuvens passarem em frente a lua. Uau-lú chega e fica escondida observando. A lua volta a clarear, O jovem levanta-se caminha e se atira nas águas do espelho. Depois que alguns segundo emerge um peixe Boto. Surpresa Uau-lú sai do esconderijo vai até a beira do espelho e grita chamando por ele. Um relâmpago corta o céu do espelho seguido de um potente trovão. O peixe vem até onde ela está.
VOZ EM OFF DO ENCANTADO - O que você fez? Não podia ter feito isso.
A amiga - Por todos encantos!!! Você se transformou num peixe!
O ENCANTADO - Sabes o que acabou de fazer? Você quebrou o meu encanto, Uau-lú!
A amiga - Me perdoe!
O ENCANTADO - Como posso perdoá-la!? Não existe perdão para o que fez.
A amiga - (chorando) Me perdoe! Eu não queria perdê-lo! Por tudo de mais sagrado! Perdoe-me!
O ENCANTADO - Agora você me perdeu para sempre. Vou ficar nessa forma de peixe, até quando só deus sabe! por que não me esperou. Por que você fez isso!?
E soltando um gemido triste, dá meia volta nas águas e desaparece nadando. Desesperada Uau-lú grita chamando por ele, e num ato de desespero atira se nas águas e fica se debatendo pedindo por socorro, raios e trovões explodem no céu do espelho d'gua. O jovem peixe vem até onde ela está e tenta empurra-la para fora. Não tem onde se segura na borda do espelho. A luta se segue até que ela pará de se debater, ficando apenas um dos braços fora da água, preso a margem do espelho.
Voz do contador de história – (Som de água sendo agitada) E na ultima tentativa de salva-la, O jovem encantado peixe boto nadou e saltou para fora da água girando no ar, na esperança de volta a ser humano e puxa-la de dentro da água do espelho(flash de relâmpagos mostram os movimentos do peixe girando nos ar e caindo na terra) mas seu encanto estava quebrado, e o jovem continuou em sua forma de peixe, se debatendo no seco, tentando ir em direção ao braço de Uau-lú. E aos pouco também foi perdendo as forças, e então também parou de se debater.
(Musica suave. As nuvens cobrem a luz da lua. Ambiente escuro. Relâmpagos mostram flashes de cena dos dois na escuridão da noite. Som de chuva caindo. Os relâmpagos vão ficando espaçados. Cessam os trovões. Um relâmpago forte ilumina o ambiente. O cenário está vazio. Escurece. Ouve-se o som de algo se movimentando nas águas As nuvens passam lentamente. A lua ilumina o cenário. O músico vestido de branco com chapéu na cabeça escondendo o rosto, dedilha o violão.
Músico – (Falando) Mulheres gostam de emoções fortes. (Cantando) "São mistérios do rio/ São mistérios das águas/ São histórias de amor/ Há muito tempo contadas"

FINAL (ESSE TEXTO AINDA PODE SOFRER ALTERAÇÕES).

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