A amiga – Não vamos exagerar.
O encantado – Não estou exagerando. E digo mais! Algumas de vocês até se habituam a ter esse tipo de ralações sensuais; esses prazeres extra-sensórios, se especializam em produzirem esses maravilhosos espetáculos de sedução particulares. E até elegem seus observadores prediletos. E se excitam fingindo não vê-los. Veja a forma como se vestem! A preocupação que tem em realçar as partes que podem atrair os nossos olhares desejoso. Estou exagerando!?
A amiga - Vou insistir na pergunta, que teimas em não responder.
O encantado - O que queres que eu te responda, Uau-lú ?
A amiga - Não se faça de bobo!
O encantado – Estais querendo ouvir-me dizer que ao ver as belíssimas partes de vossa princesa, senti-me atraído por elas(Aproximando novamente de Uau-lú) Acho que vai te excitar ouvir-me dizer que desejei tocar as partes intimas dela, acaricia-las, senti-las em minhas mãos, beija-las com volúpia, ou quem sabe com meu músculo rígido, preenche-la ardorosamente até senti o morno do seu prazer jorrando deliciosamente em mim, olhando-a nos olhos, beijando-a calorosamente a boca?
A amiga - (Afastando) Você está me deixando sem jeito, com essa conversa!
O encantado – Não esqueça que eu sou um encantado, e como todo encantado, eu tenho a missão de encantar. Tenho minhas fantasias, sinto desejos, é desejando que os encantados se encantam, é nos encantando que buscamos encantar nossos encantos.
A amiga – És muito escorregadio, isso sim! Tenho certeza que faz isso com todas que aparecem na tua frente.
O encantado – Ah! Como é linda essa carência disfarçada que transforma em melodia em tua boca; É um riacho de leite e mel o desejo sutil que goteja dos teus lábios, minha meiga Uau-lú. Sinto-me rodeado pelo perfume envolvente de tuas inocentes acusações.(Aproximando mais rosto ao dela) Quem me dera envolver-me em tuas formosuras e bebericar o néctar dos desejos no cálice macio do teu umbigo; mordiscando delicadamente as pontinhas dos montes macios do teu colo; rodeando de suavidade teu pescoço, massageando os teus cabelos e me afogando em tua boca, ouvindo o ofegar de tuas narinas em meus ouvidos, nos sabores refinados de tuas especiarias de moça fogosa. (levando a mão a cabeça) Eu tiro o chapéu pra você, deusa dos meus mais puros encantos. O destino te trouxe a mim(Tirando o chapéu o jovem revela detalhes de seus cabelos ornamentados )O que te lembra isso!?
A amiga - Ah! Minha mãe das águas, é inconfundível o teu perfume, majestoso! A elegância dos teus cortejos, a beleza de tuas palavras. Pensei que nunca mais ia te ver. Então és tu!
O encantado - Sim, Uau-lú! Os ventos da primavera sopraram mais uma vez para mudar o meu destino.
A amiga - Ah! Como te procurei! Tu não sabes as noites de sono que perdi pensando em ti. Quantas noites sonhei nos acalanto dos teus braços. Acerta-me com tua lança guerreira, meu amado. Enche minhas entranhas mornas com néctar dos deuses. Eleva-me ao céu dos teus amores! Não sabes quanto tempo sonhei com esse momento. Finalmente te encontrei. Tu és tudo que mais quero nesta vida. Por que desaparecesse da forma como desapareceu? Porque sempre fugias? Porque nunca ficastes até o final das festas comigo? Me responda, meu amado... Por que me fez sofrer tanto?
O encantado - Calma! Uma pergunta de cada vez. Existem alguns mistérios em minha vida que não posso te revelar. Há certas coisas que as nativas não podem saber. E é melhor que seja assim.
A amiga - Tudo o que quero é que me diga, é porque você sumiu sem dar explicação?
O encantado - Porque uma mulher apaixonada só ouve o coração, Uau-lú. Vocês são sensíveis, e extremamente curiosas, são capazes de tudo para viverem seus amores. O teu amor estavas prestes a botar tudo a perder. És a chama ardente que adoro contemplar, mas não ouso tocar, temendo ser devorado pelo fogo abrasador do teu corpo. Foi uma surpresa maravilhosa vê-la entrar aqui acompanhando vossa princesa. Mas não podia deixar que me reconhecesse. Mas não resisti, e sei que isso pode sair muito caro mim.
A amiga – por que?
O encantado – Não posso te dizer.
A amiga - O que faço para que te rendas a mim, meu amado príncipe dos encantados. O que faço para que fiques comigo?
O encantado - Ah! Uau-lú! És a luz mais pura que encontrei no caminho. Mas por um desses acaso do destino, hoje é noite de lua, e poderemos acabar embarcando numa bela enrascada se você e a princesa não saírem daqui a tempo.
A Amiga - Como assim?
O encantado – Você e a princesa me tomaram um tempo precioso. A minha liderança está ameaçada com a presença de vocês . Ah! Vossa rainha continua a mesma. Com certeza foi ela quem mandou a princesa traze-la aqui, para eu a envolvesse com meus encantos e a possuísse de alguma forma. Isso faz parte dos rituais de iniciação das jovens nativas. A princesa tinha que ter vindo sozinha. Mas tudo bem!
A amiga - Eu não estou entendendo nada do que estais dizendo.
O encantado - Não importante agora, Uau-lú. Olhe!A princesa já está voltando. Eu tenho que traze-la a realidade e tira-la daqui.
A amiga - O que você vai fazer?
O encantado - Tenho que diminuir o estado de excitação sonhadora em que ela está.
A amiga - (Olhando desconfiada para o encantado) E como vais fazer isso?
O encantado - Não te preocupes. Existem formas de fazer isso. No momento, a melhor forma é começar pedindo a ela que devolva minhas estrelas!
A amiga - Tuas estrelas!? Desde quando tens estrelas?
O encantado - Vou usar isso para amenizar a ilusão dos desejos que ela está sentindo por mim. Não tenho tempo para explicar. Fique quieta, por favor!
A princesa se aproxima sorridente enrolada na toalha, demonstrando está muito feliz e com uma certa malicia no olhar caminha na direção do jovem líder.
A princesa - Que lugar maravilhoso! Estou me sentindo nas nuvens. Que pena que não fostes comigo, Uau-lú! O jovem líder é um sonho.
O encantado - (Demonstrando uma certa pressa) Me desculpe princesa! Eu não devia ter deixado vocês entrarem aqui. (virando-se para Uau-lú) Acho que não vai ser fácil tira-la daqui. A lua está subindo, vocês não tem que sair daqui.
A amiga - Porque essa pressa?
O encantado - Eu não posso dizer!
A Princesa - (Se aproximando do encantado com movimentos insinuantes) O que queres de mim! Peça o que quiseres, que te concederei.
O encantado - Devolva minhas estrelas, princesa!
A princesa - (sorrindo) Do estais falando, meu amado.
A amiga - Amado!? Que intimidade são essas?
O encantado - (virando-se para Uau-lú) Fique quieta, por favor!(Voltando-se para a princesa) Estou falando das minhas queridas estrelas, princesa!
A princesa - Se soubesse onde estão tuas estrelas, eu reviraria céus e terra para buscá-las e entrega-las em tuas mãos, só para sentir, nem que fosse por um infímo instante a tua pele rossando a minha.
O encantado - As minhas estrelas estão mais perto que imaginas, princesa.
A princesa – (Insinuante) Diga-me onde, que irei busca-las para ti.
A amiga - O que deu na princesa? Tem alguma coisa errada com ela.
O encantado - Tu não anda no coração dos outros, Uau-lú. Nem tudo que falamos expressa a vontade do nosso coração. Faça o que lhe pedi! Fique quieta! Ela está sonhando, eu tenho que acorda-la desse sonho e tira-las daqui.(virando-se para princesa) Princesa! As minhas estrelas estão contigo. Tu as levou do meu Céu.
A princesa - Não lembro de algum dia ter provocado um cataclisma cósmico de tamanha magnitude. Meu maravilhoso príncipe das águas.
O encantado - Sabes por que não lembras, anjo dos encantados!?
A princesa - Não! Meu amado majestoso!
O encantado - Porque na noite em que elas se foram, tu estavas muito ocupada com tuas maravilhosas meninices sedutoras, que nem percebeu que as raptou do céu.
A princesa - (Se insinuando) Você quer dizer do nosso céu, meu delicioso majestoso?
A amiga – Minha nossa!! A princesa perdeu o juízo!
O encantado - Sim, Uau-mari, nas noites enluaradas, costumo exercitar os meus improvisos poéticos para minhas queridas estrelas. E numa bela noite, eu estava fazendo exatamente isso, quando voce apareceu para tomar seu precioso banho, e quando cobriu-se com os véus de água, tu as raptou lá do céu para o teu corpo, e depois aprisionou-as nessa toalha. Voce não sabe o quanto procurei te-las de volta. E no dia em que fostes embora daquela casa, eu foi até lá, e entrei no quarto vazio onde jogastes a toalha, na esperança de encontrá-las e devolve-las novamente ao céu. Mas as minhas estrelas não estavam lá. Vi alguns brilhos no quarto, pensei que fosse algumas delas, mas não eram. Os brilhos vinham de pequenas frestas na parede de tua casa; frestas por onde tu poderias muito bem me observa, sem ser observada. E roteirizar teus deliciosos movimentos. És linda; sabes da força irresistível que tem as tuas formas. Mas agora tens que acorda! Não existe nada entre nós além das minhas estrelas.
A princesa - Se isso é um sonho majestoso, eu quero morrer sonhando. É o mais belo de todos que já tive!
O encantado - Fico feliz de saber, que no silêncio do teu universo, sentis algo por mim, que se sente atraída por mim, e de alguma forma buscou chamar minha atenção; despertar os meus desejos; dar-me prazer Uau-mari. E você realizou isso. Depois que vi você protagonizar varias vezes a mesma cena, achei curioso que essa toalha sempre enrolada da mesma maneira em teu corpo! Abrindo sempre do lado em que eu estava. Sei que não foram apenas maravilhosas coincidências. Com certeza sabias o que estava fazendo! Estou feliz por sentir algo por mim, por está aqui. E devolvi em sonhos, os prazeres velados que me proporcionou. Mas agora tens que acorda! Estais sonhando o maravilhoso sonho nas artes dos prazeres reais dos encantados! Mas não é o momento oportuno para extravasar nossos prazeres. Venha comigo!
A princesa - (Se aproximando do jovem) Sou a mulher mais feliz que você conhece, Te seguirei até onde quiseres. Te darei a minha vida, os meus sonhos, meus prazeres, tudo o que você me pedir.
A Amiga - Eu não acredito que a princesa está falando isso!
O encantado - O que quero de ti, transcende os mistérios das nossas lendas particulares, princesa. (Olhando para Uau-lú) Mas eu tenho um amor que vai além das estrelas, e me fez romper com as tradições do espelho e deixa-las entrar aqui. Mas agora tenho que tira-las e leva-las para o outro lado rio antes que seja tarde demais.
A princesa - Deixe-me tocar a maciez de tua mão.
O encantado – Agora não posso tocá-la, princesa! Dê-me está toalha para que eu possa tirá-la desse encanto.
A princesa - É só isso? Com o maior prazer! (Fazendo o gesto para tirar a toalha do corpo que cobri o corpo)
O encantado - (Segurando rapidamente a toalha) Não! Por favor, aqui não. Acompanhe-me! Vamos para o outro lado do rio que resolveremos isso!
A princesa – Sou sua escrava! Faço o que você quiser!
A amiga - O que você vai fazer com ela?
O encantado - Me espere aqui! Tenho que atravessa-la para o outro lado rio.
A amiga - E Para que queres a toalha?
O encantado - Preciso envolvê-la com essência de flores e água do rio, antes que a lua comece a iluminar o espelho.
A amiga - Pra quê isso?
O encantado - Para evitar que o pior aconteça, Uau-lu . Agora me espere aqui. E por favor! por nada nesse mundo toque nessas águas.
A amiga – Vixe! O que tem de tão importante nessas águas?
O encantado - São águas sagradas, elas podem lhe atrai.
A amiga – Quanto a isso, não se preocupe, eu não sei nadar, manterei distancia.
O encantado – Lhe agradeço. Esse poço é fundo e não tem onde se agarrar para sair, se caíres dentro dele.
A princesa - (caminhando para saída) Venha me florir! Meu anjo encantado.
O encantado - Já estou indo.(virando-se para uau-lú) Fique aqui!
A amiga - Vê lá o que você vai fazer!
O encantado - (Sorrindo) Não se preocupe. Ela esta em boas mãos.
A amiga - Eu não sei por que! Mais não consigo acreditar em você.
O Encantado – Fique aqui! Vai dá tudo certo.
A princesa e o jovem líder saem do espaço sagrado.(som de musica tensa. Flashes de relâmpagos e som de trovões ao longe) O jovem volta com a toalha na mão.
A amiga - (Olhando desconfiada para o jovem) O que você fez com a princesa?
Som de vozes se aproximando.
O encantado - Nada! Venha ! Tenho que leva-la até o tablado dos beija-flores. Lá estaremos seguros.
A amiga - Como assim, não fez Nada !!? E o que você está fazendo com essa toalha nas mãos? Tá na cara que aconteceu alguma coisa! Eu não vou lugar nem um com você! Eu quero sair daqui! Onde está a canoa?
O encantado - Canoa!?
A amiga - A canoa da rainha, que vocês usaram para atravessar o rio!
O encantado - Não usamos canoa.
A amiga - E como atravessaram o rio?
(ouve-se as vozes de jovens fazendo algazarra bem próximas).
O encantado - Os encantado podem fazer algumas coisas, que não posso revelar à você. Agora temos que sair daqui, Venha! A lua já está saindo.
A amiga - E dai?
O encantado - Os jovens vão já passar por aqui. E você não pode vê-los mergulhar no espelho.
A amiga - E por que não? O que é assim tão importante que eu não posso ver?
O encantado - Não complique mais as coisas, Uau-lú. Venha! Siga-me!
O jovem líder a pega pelas mãos e saem do espelho. Adentram o tablado florido. Ouve-se o som de jovens brincando e pulando nas águas. Aos pouco o som da algazarra dos jovens vai diminuindo, e tudo fica em silêncio. O jovem solta rapidamente a mão de Uau-lú.
A amiga - O que aconteceu? Porque essa pressa em soltar minha mão?
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
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